foto by Mila Petrilloos meus olhos partidos de boneca, choram todos os filhos que esqueceram a palavra mãe.
os meus olhos de mulher envelhecida, fixam o palco. - enquanto a barca não vem.
morri já tantas vezes que perdi a vontade de ressuscitar.
art by Ottavia Rizzo (Baccante-Brilla)
foto by Mila Petrilloos meus olhos partidos de boneca, choram todos os filhos que esqueceram a palavra mãe.
os meus olhos de mulher envelhecida, fixam o palco. - enquanto a barca não vem.
smoking-cigarretes by come2beautifulcaiu ____ a última gota
não há espanto nem revolta
caiu ____ no dorso do tempo
com o silêncio como escolta
nada ____ consigo o prodígio
de ter o cérebro vazio
ter mais ____ nada ____ para dizer
aspiração ____ absoluto
descanso mais que merecido
uma palavra ao ouvido
de quem passar por aqui
- Enquanto a Barca não vem
façam Amor ___ sejam Paz
incomodem toda a gente
destronem a hipocrizia
derramem tanta ____ alegria
como dor ____ no rio corrente
esse ____ o que vai dar ao mar.
única urgência
- a mesma fúria ____ boa ____ Adolescente!
no amar ____ e no lutar.
Madalena Pestana
foto de madalena pestana
image by Angelicatas o entranhado desejo satisfeito _________ à tua revelia _________ e renovado
ao ver nas tuas costas a montanha _________ solo erguido _________ vertebrada
___________
sopra meu vento ---- amor ---- ao meu ouvido
cerca-me o pescoço duma ---- serpente ---- amante
sibilante
que me faça tremer e ---- oscilar ---- perder no
espaço
que medeia entre o ---- odor ---- de ti no meu
pescoço
e o beijo que desejo
e tu ---- inventarás ---- num sopro criativo
sopra. amor. a palavra. ao meu ouvido
e em ---- enrolo ---- de cobra que volteia
deixa depois de ---- verdadeiro ---- amor
a minha boca cheia.
mas a cabeça doía mais que o pensamento e fui dormir. trazia na memória um olhar que não parecera ver-me. nem sequer sabia que o trazia. as coisas que se carregam para casa sem saber!
pior, pior foi o sonho depois.
- no emprego, alguém com poder para isso e muito mais, avisava-me, olhando-me como quem não me vê, que já não precisavam de mim. assim a frio e pronto. rápido como os sonhos são. segurei uma tampa de caixa de papelão. coloquei por cima as minhas plantas e saí a informar não me lembro quem. ou lembrarei?
voltei ao local de trabalho que por vinte anos fora o meu. ia saber de mais. do como. do porquê. mas a secretária já fora trocada. esperavam ainda quem a ia ocupar e... não me viam. ninguém sequer olhava na minha direcção.-
nunca me senti tão número como neste sonho. um número apagado. um número para engrossar, e ainda assim pouco, uma futura estatística qualquer.
a minha cadela foi acordar-me. entendi que era sonho. era sonho mas até quando o era?
assim deixei o texto de amor inventado e parti na direcção da barca que o sonho parece anunciar.
não a avisto mas sei que não demora. é mais de indiderença que de doença que se morre. sei o que digo. antes o não soubesse.
não tenho pena de partir. não gosto é de esperar.
hoje não vejo telejornais. falam de desemprego. não sei é como apagar da memória aquele olhar.
para ti - meu Amor último. meu abuso do sonho. meu pretexto de vida...