26/04/08

livre sou eu

Learning to fly by Foureyes


ninguém me deu

nada.

a liberdade _____ menos _____ que o sonho

mas eu sou _____ livre

como uma criança

que nem imagina _____ enquanto corre

que se morre



__________


e só.

24/04/08

que raiva deu às gentes por causa do encarnado!

A rose per the 25th April in Portugal

foto de madalena pestana


vinte cinco de Abril. assim. por extenso. quem sabe bem o que foi? o porque foi?

nem os novos governantes viveram o "antes disso". terão lido na história. na escola (terão lido?). contaram-lhes os pais. (que pais contaram e o quê?)

vinte cinco de Abril de mil novecentos e setenta e quatro.

parem com a desculpa. é pouco tempo. não é não. é mais do que uma geração. toca a acordar!

digo isto para quem? para ninguém. fechei os comentários. assim ninguém terá medo de concordar ou discordar. porque, passados estes anos, sinto. no ar. de novo. o medo!

o medo no truque da avaliação na função pública tanto quanto nas empresas privadas.

agora chegou o despedimento por INADAPTAÇÃO.

porra, senhores ministros! quem se tem aguentado tanto tempo a adaptar-se a viver cercado a incompetência e corrupção não se adapta ao trabalho, se varia a função?

haja Deus e paciência! Deus tem de haver para este absurdo ter algum sentido, já a paciência... como vai rareando!

lembro hoje, Amigo. o teu telefonema que dizia só. ao acordar-me: " Irmã! já há tropas nas ruas! não me deixam passar. têm de ser das Nossas!"

meia dúzia de dias depois disso morreste. acidente. estúpido como todos. mas morreste feliz!

se visses o que fizeram dessa Tua/Nossa Esperança... estarias como eu hoje.

triste ou... à espera do Verdadeiro Dia!

porque estou cega demais para escrever

O-Mar-por-Horizonte foto de Olga Gouveia


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Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a madrugada bate,
E me envolve com uma recordação duma outra pessoa
Que fosse misteriosamente minha.

Ah, quem sabe, quem sabe,
Se não parti outrora, antes de mim,
Dum cais; se não deixei, navio ao sol
Oblíquo da madrugada,
Uma outra espécie de porto?
Quem sabe se não deixei, antes de a hora
Do mundo exterior como eu o vejo
Raiar-se para mim,
Um grande cais cheio de pouca gente,
Duma grande cidade meio-desperta,
Duma enorme cidade comercial, crescida, apopléctica,
Tanto quanto isso pode ser fora do Espaço e do Tempo?

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Álvaro de Campos

22/04/08

dia da Terra. o hacker e... Sócrates II

Grey-Wolf-2 djs photography


dia da Terra. pois. eu devia escrever coisas interessantes mas ando um bocado des-interessada. de quase tudo. excepto do meu hacker. desculpem mas é assim mesmo.

bem. a Terra existe e graças à natureza vai continuar a existir. para além do homem e apesar do homem. nem que sobrem só as resistentes à bomba atómica. as anti-americanas - baratas. (em itálico porque ver-se livre das baratas sai... caro. para quem ganha o que eu ganho. nem para matar baratas...)

mas isto a propósito da Terra. e do Sócrates. o segundo. sobre o segundo não há nada a dizer. chefe de um partido único. culpa do pc que nunca saiu do passado. do seu partido parceiro que... se partiu por inteiro.

falava pois da Terra e do seu dia. o Sócrates já começou qual o seu homónimo sábio. a mudar. devagar. até às eleições. as leis do :

laboro logo existo! - é o lema do homem. já se labora ou não... a futura história a decorar. bem paga e mal contada. o dirá. (que me perdoe o excelente professor de história que um dia tive. mas. decorar aquilo. não é coisa de gente.)

falava pois do dia da Terra. ou do hacker que assentou praça no meu computador como um namorado renitente. ou de Sócrates. o segundo.

o primeiro sempre foi menos mau. "morrer sim mas na esgalha!" - disse um dia. "venha lá a cicuta, seus filhos de uma... senhora séria (que miséria!) já que é moda da casa. exilar-me. quase morto? isso, a ser bom. a ser. é para o meu sucessor." e lá vai disto. comeu anzol e isco. e... não chateou mais ninguém. parecia ser o caso.

ao acaso: Sócrates o segundo. a Terra e o meu hacker (já começo a amá-lo. a mulher ou homem que se cuide!)

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a Terra? a Terra. minha única guerra! é só amá-la. já que vamos tarde demais para salvá-la.

19/04/08

ar

A hand full of nothing

"uma mão cheia de nada" foto de madalena pestana


numa só mão. a minha mão ou outra. fechada. a vida cabe. toda ela.

a vida cabe. a minha. vida nada. vida vazio. espaço. ar. numa só mão.

o voo de pássaro que sonhei ser morreu. as flores que quis nascer

floriram. longe a mim.

o rio que navegava. secou. por baixo dos meus olhos. tanto era o sal

que deles se entornava.



a vida. a minha vida. hoje. cabe numa só mão. num só punho. cerrado

de quem não quer perder o pouco que sobrou. ar. nada. tudo. ar

que por ser ainda respirável. há-de fugir daqui. da minha mão. infértil.

e ir juntar-se ao vento. ser útil. bem distante. fora de mim. do nada.

ser vida. ar salvação. em qualquer uma boca.

17/04/08

caminhos _____ difíceis

the difficult ways where I look for you
foto de madalena pestana


corro. subo. desço.

assalto

todos os caminhos _____ difíceis _____ da cidade

revolvo. destapo. remexo.

recantos

impossíveis de ver a olhos _____ desabituados _____ de sofrer

canso. paro. sento.

fumo

o cigarro apagado do _____ impossível encontro _____de mãos

minto-me. acredito-me. finjo-me.

viva

pronta para a caminhada _____ sem fim _____ de procurar-te

manhã. meio-dia. noite.

madrugada

infinda. urde este desencontro _____ organizado _____ por quem?

canso. revolvo. vivo.

de representar o papel de _____ peregrina do frio _____ do desamor.


sei. sabia. saberei.

viver de

por todos os caminhos _____ difíceis da cidade _____ continuar

a infrutífera busca.


que será de ti. de mim. de nós. amor

se por um capricho _____ impossível _____ do destino

te encontrar

uma vez.

nos caminhos _____ difíceis _____ da cidade?

13/04/08

que sorte. trabalho (?) .



amanhã é dia de trabalho. que sorte! que sorte ter emprego nesta espécie de país periférico à europa dos negócios. da união. (da europa éramos nós. há séculos) que sorte, dizia. pois, dizia mas o que sinto é que vou entrar num espaço de vazio para a minha cabeça. o prelúdio ao tio alzheimer, por entrar num dia, mais um, sem nada que fazer.

nunca fui muito arrumada. confesso. gosto mais de escrever. fotografar. ouvir música. voltar a ler quando o estado a que as coisas chegaram, me der vaga para operar as cataratas. com sorte não cego antes. que sorte!

por não ser muito dada a arrumações, as prateleiras nunca foram a minha forma particular de ocupar o dia. mas amanhã é dia de trabalho. eu sei que não sou nova. as prateleiras laborais estão cheias de gente como eu. à espera. à espera que o governo ganhe de novo as eleições para poder continuar a mudar as leis e chutar os velhos para a rua. sem indemnizações.

eu sei. sou velha mas não burra. os velhos sabem coisas que os novos ainda nem imaginam. entre elas a do direito ao trabalho. não ao emprego. só.

mas que sorte. ainda tenho emprego!

por quanto tempo? não sei. melhor é nem pensar. afinal eu já só espero a Barca. a escada para o cais sei eu descer sozinha. não precisam mesmo de empurrar.

se a Barca se atrasar e antes que o alzheimer me ataque por culpa de cérebro parado dia após dia, vou eu buscar o primeiro barco que encontrar e solto amarras. de vez. de vez. que sorte!

11/04/08

intelecto líquido

foto de madalena pestana


escrevo-te na água. escrevo com os olhos. com água

na água

escrevo meu amigo. não escrevo. dissolvo

eu não sei escrever. falo. com os olhos

pousados no chão. na água. nas pedras

caíram-me pedras-lágrima. dos olhos


escrevo-te na água. no brilho. no chão

que piso a seguir.

molho os pés na escrita que sempre me falha

encharcada em letras _____ água dos meus olhos

eu. intelecto líquido

eu. muda. eu. sentir de escrita vazia. faço-me poema

escrevo-te na água


escrevo-me para ti. na água. na água.


lágrima. palavra. morro-me. no chão.



10/04/08

Meu Vento!

image by Giacomo Sardi


que me trazem as palavras

brazas


que o cérebro ateia?


que vida ainda me cabe

que me chegue


para viver sem Rei nem Lei?


não há Barca para o inferno

nenhuma outra para o céu


há um segredo. um amor


coberto de leve véu

que tu conheces e eu sei



neste ____ tão breve ____ acabar

não há timoneiro de Barca


não há chefe que comande


o mundo ____em caos ____ tão caído



há este amor ____ já cansado


de não estar vivo nem morto

só parado _____como a Barca


que vai a lado nenhum


e há-de chegar_____ pois que venha!


estou rolada como um cardo _____ que nada

em deserto _____ nú




rolo. rolo. rolo. rolo.


que raio de vento és tu?!


04/04/08

saciar ______ nada

image by Angelicatas



fui à rua



bebi vento




engoli toda a poeira que circulava no ar




tive esperança





(num momento patético e desolado)



de que o rodopio trouxesse um aroma




breve ______ a ti





nada ______ pó ______ ______ sem mais nada




a não ser esta imparada saudade imensa



de ti ______ em mim




(saudade da fantasia. do nada que há a lembrar...)





tenho a ânsia ______ o intento ______ vem no vento ______


em vez do vento




tens ______ um corpo




a saciar.